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Somos Todos Rebeldes

17 de setembro de 2018
8 Comentários

Quantos rebeldes você conhece? Você se consideraria uma pessoa rebelde? O que você diria ter em comum um estudioso, um valentão, uma estranha, uma princesinha e um rebelde?
Se você tem contato com algum adolescente, é possível que consiga encaixa-lo em um desses adjetivos.
Esse é cenário central de um filme lançado no Brasil em 1985. Clube dos Cinco.
Descrevendo dramas da adolescência, o filme retrata a vida de cinco adolescentes que acabam se encontrando em uma situação bastante incomum, promovida pelo diretor do colégio após estes garotos e garotas infligirem regras escolares.
Como castigo, a pena é passar um sábado inteiro na biblioteca do colégio pensando no que fizeram, nos erros que cometeram e quem eles são.

Retratos de realidades rebeldes

Não se trata exatamente de uma ficção, mas a representação de uma realidade rebelde.
Ao descrever as histórias de cada um dos sete personagens do filme, percebemos o quanto de verdade existe nos dramas rebeldes vividos e relatados.

Os Estudiosos

Quem não quer ter filhos que dedicam seu tempo aos estudos e são donos das melhores notas do colégio? Sonho de todos os pais!
Se você é pai ou mãe de um estudioso, ou estudiosa, deve estar cheio de orgulho. Contudo, você já se deu o trabalho de perguntar o porquê de tanta dedicação aos estudos? Já perguntou a ele se está realmente feliz nessa condição? Você saberia dizer se passam por alguma situação incômoda entre os amigos por causa disso?
Quase certo que tenha assumido esse perfil por influências. O faz porque espera uma recompensa, ou somente para te agradar e receber seus carinhos e reconhecimento por isso.

Os Valentões

Não mais uma característica típica e exclusiva dos meninos, mas esse adolescente pode estar querendo impor sua vontade através da força, porque aprendeu que quando quer ou precisa de alguma coisa, a força é a melhor maneira de obter.
Essa demonstração de poder físico por vezes esconde um adolescente assustado e confuso e que tenta a todo custo impressionar seus pais e mostrar a eles que não há fraquezas em sua vida.
Será que essa não é uma prática comum dentro de casa?

As Estranhas

Figura que parece andar na contramão da história, demonstra não ligar, nem dar valor para nada. Fala pouco e não se interessa por nada, está sempre isolada de tudo e de todos, vive trancada no quarto e quando faz alguma coisa, é para provocar irritações, principalmente aos pais.
Talvez esteja escondendo uma enorme carência por atenção e sofrendo por achar que ninguém gosta dela, que não é popular e totalmente dispensável no contexto social.

As Princesinhas

Tudo que importa é sua beleza física, acredita que pode seduzir qualquer um com o seu charme e assim conseguir o que quer. Não precisa ser inteligente ou dedicar tempo aos estudos, sua boa aparência vai abrir todas as portas que precisar.
Dentro dessa intimidade pode estar escondida uma insegurança e incapacidade muito grande. Não sente ser capaz de aprender nada e investe em tudo que pode lhe trazer impacto visual e chamar a atenção dos outros para ela.
Popular entre seus amigos, principalmente entre as amigas, usa esse recurso para pertencer a um grupo, e através da força coletiva, tenta superar seus medos.

Os Rebeldes

Nada nem ninguém o agrada, está sempre fazendo coisas para impressionar, vive para perturbar e provocar as pessoas a sua volta. Vive se metendo em encrencas, em casa, na rua, na escola, no trabalho.
Ambientes caóticos estão sempre presentes na vida do rebelde. Não se sente compreendido, faz o que faz para enviar a mensagem de que não está nem aí para nada. É forte e está acima de qualquer um e qualquer regra.
Esconde uma enorme fragilidade frente a tudo. Seu comportamento é a maneira que encontrou para não sentir e para não enfrentar nada do mundo fora dele.

Os Adultos

Para os adolescentes, tudo está certo, pois, em boa parte do tempo, nem sabem por que tanta preocupação.
É possível que o problema esteja mesmo entre nós adultos.
No filme, todos os personagens adultos parecem reprovar, de alguma forma, os comportamentos dos adolescentes.
Adultos esperam que seus adolescentes sejam iguais a eles. Demonstram não acreditar nos jovens. Duvidam da capacidade deles.

Como eles vêm tudo isso?

Não é todo o tempo que eles acreditam no interesse e amor genuíno dos seus pais. Isso cria barreiras fazendo dos conflitos, as situações com maior frequência em seus lares.
Entendem que a vida familiar lhes é insatisfatória.
Sem saber ao certo, por falta de diálogos mais frequentes e adequados, só imaginam o que os pais esperam deles. E frequentemente acreditam que seus pais esperam algo que não são capazes de entregar, se sentem incapazes e impotentes. Há muitas frustrações nesse cenário.
Eles querem impressionar seus pais, muitas vezes, fazendo aquilo que acreditam que seus pais querem. Mesmo que seja algo que não escolheriam fazer se não fosse pela pressão familiar.
Na escola, acham que precisam saber e ser bons em tudo. Existe uma enorme competição não declarada entre eles e que, não raro, é valorizada e estimulada pelos pais.
Eles desejam pertencer à família e a turma da escola. Eles querem ser notados e sentirem-se importantes.
Eles têm medo de serem aceitos e não saber o que fazer com isso!
Talvez um breve diálogo ocorrido no filme, possa resumir o que é ser adolescente e não tão rebelde assim: “Por que está sendo legal comigo? Porque está deixando!”.
As vezes tenho a impressão de que somos todos rebeldes. De que existe em cada um de nós uma espécie de rebeldia latente.
Após 33 anos do lançamento do filme, você saberia me dizer o que mudou depois de todos esses anos?
Gostou do texto? Acha que ele pode ser importante para seus amigos? Compartilhe em suas redes sociais. Tenho outros artigos em meu Blog.
E se você me permitir. Até a próxima!
Adriana Oliveira

COMENTÁRIOS:

K
Katya Araújo
Com certeza o filme será brilhante( já anciosa para assistir ,) assim como o trabalho de vocês ,cada edição ,cada postagem de assunto abordado e como um tesouro a se descobrir ,pois nos mães de adolescentes vivemos remando contra a maré e muitos vezes nos afogamos ,perdidos em situações desconhecidas ,e junto com o coach young tudo fica mais claro ,e mais fácil entendermos e lidarmos com cada situação ,parabéns aos envolvidos pelo excelente trabalho nossos jovens e adolescentes agradecem e nos pais muito mais ? Katya mãe do Matheus e da Ester 16 e 4 anos ?
A
Adriana Oliveira
Obrigado Katia que bom que gostou! Ter a perceptiva de uma mãe na crista da onda de um adolescente e sempre muito bom. Estamos aqui para ajudar sempre.
N
Natalia
Eu terminei de ler agora o seu artigo, com calma, e respondendo a pergunta do final, Eu não acho que nada tenha mudado após 33 anos. Eu fui um pouco de cada um desses adolescentes na escola, e de forma geral, é uma releitura muito boa, e muito verídica do que vivemos
A
Adriana Oliveira
Que legal Natalia, que você se reconheceu, fico feliz em poder ajudar em suas reflexões!
R
Renata
Que belíssimo texto, relevante p nossos dias. Parabéns Dri, faz ver os adolescentes por outro anglo ???
A
Adriana Oliveira
Oi Renata estar atento aos nosso jovem, faz sempre total diferença! Gratidão
S
Sueli Gomes da Costa
Muito bom Adriana. Vejo com esse texto, que temos muito a aprender, não só p entendermos melhor as atitudes de nossos filhos, como também, outros jovens e crianças, como sobrinhos , netos e , pique não, amigos de nossos filhos. Parabéns pelo seu trabalho.
A
Adriana Oliveira
Oi Sueli, que bom que gostou. Gratidão de coração por acompanhar nosso trabalho.

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