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Violência Doméstica – Vamos Quebrar essa Barreira

24 de julho de 2019
1 Comentário

Sou mulher e a cada caso de violência doméstica contra a mulher, que tenho conhecimento, sinto em mim suas dores, sua humilhação, sua tristeza e o seu desejo de morrer.
A violência tem várias facetas e precisa ser extinta do comportamento humano. Porém, infelizmente, trata-se de um comportamento nato, sejam em homens ou em mulheres. A verdade é que tendemos a partir para agressão todas às vezes que perdemos o controle emocional. E não se trata somente de agressão física, mas, verbal, moral, sexual e emocional.
A violência contra as mulheres ocorrem em todos os lugares do mundo e em todas as culturas. É sabido que o grau de educação é inversamente proporcional à violência, quanto menos educação, maiores e mais graves são os índices de violência.
No entanto, isso não é uma regra, expressa apenas um padrão do comportamento humano. Pois, quando o grau de instrução aumenta, ou seja, mais estudos e cultura. Muda-se a forma de violência, passando da forma física para verbal e moral, porém, não menos ruim.

Estatística da violência doméstica contra mulheres

No Brasil, dados apurados e fornecidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP/2017) demonstram um cenário assustador:

Publicado na 2ª Edição do relatório – Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil. Foram registrados que “… 16 milhões de mulheres brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência ao longo de 2018.”.
O mesmo relatório expressa outro dado preocupante. Os episódios mais graves de violência relatados por mais de 75% das mulheres indicaram que o agressor era alguém do relacionamento pessoal. Entre os mais citados encontram-se o namorado, o cônjuge ou o companheiro, além de ex-namorados, ex-companheiros e vizinhos.
Isso significa dizer que a maioria das mulheres são vítimas de violência doméstica. Entretanto, apenas uma pequena parte delas registrou, oficialmente, o ocorrido, a maioria alega não ter feito nada.

A distribuição da violência

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP/2018) mostra números ainda mais chocantes do ano anterior.

Outros dados relevantes publicados no ABSP/2018 são sobre a distribuição dos casos de violência contra a mulher pelas regiões do Brasil.

  • Foram 5672 casos de feminicídios e homicídios onde as vítimas são mulheres em 2017. Distribuídos assim pelas regiões brasileiras:

  • Foram 221.238 casos de lesão corporal – violência doméstica em 2017. Distribuídos assim pelas regiões brasileiras:


As mulheres continuam lutando para que os seus direitos sejam iguais aos dos homens. Apesar de muito já ter sido conquistado, ainda há muito caminho pela frente.
O mundo ainda possui um grau elevado de machismo e não tenho dúvidas que esse seja o principal motivo da violência às mulheres.
A maioria dos homens acredita que são donos das suas esposas, namoradas e companheiras e que podem determinar seus comportamentos submissos a eles. Desta forma, o ciúme exagerado, o sentimento de posse são fatores determinantes para os altos índices de agressividade dos homens com as mulheres.

O que pode ser feito sobre a violência doméstica?

Para falar sobre prevenção ou possíveis soluções, vou postar um texto de Jacira Melo, mestre em Ciências da Comunicação e diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão.
Ela diz:

“Para erradicar a violência contra as mulheres que acontece no espaço público e privado, e que tem se perpetuado de geração em geração, é preciso se debruçar sobre as causas, sobre as raízes culturais dessa violência.
Em várias partes do mundo, nos últimos 30, 40 anos, o que se tem focalizado especialmente são os efeitos e consequências: o abuso sexual de meninas, o estupro, a violência doméstica, o assassinato de mulheres pelos seus parceiros íntimos. Algo que tem sido fundamental, diante da gravidade da violência contra as mulheres no Brasil e no mundo. Agora, associada a essas ações de exigência para acesso à justiça por parte das mulheres, é também preciso maior ênfase no debate sobre as culturas da violência para se conseguir exigir mudanças de comportamento e mentalidade nos padrões de socialização.”

Contudo, acredito que o papel do homem é fundamental para reverter este triste cenário. Cabe a eles respeitarem, valorizarem e reconhecerem os direitos igualitários das mulheres.

Papel de mulher

Entretanto, cabe às mulheres uma postura mais assertiva diante da violência que será alcançada com algumas mudanças de hábitos, entre elas:

  • Autovalorização – reconhecer o próprio valor e elevar a autoestima se colocando como mulher e como pessoa.
  • Autorrespeito – respeitar seus próprios limites, seu corpo e sua sensibilidade.
  • Não submissão – dizer não às imposições e vontades unilaterais e mesquinhas em seus relacionamentos.
  • Repúdio – repudiar qualquer atitude machista que leve a sua desvalorização como mulher e como pessoa.
  • Dar voz – dar voz a dor, não sofrer sozinha. Recorrer às autoridades todas às vezes que tiver  seus direitos violados de forma violenta, física ou não.
  • Complacência – reduza o seu ímpeto de agradar e servir seu agressor. Se ele fez uma vez, não há o que o impeça de fazer novamente.
  • Postura – se você mulher não reconhecer o próprio valor, não espere que os outros o façam. Tenha uma atitude firme, liberte sua força e lute pelos seus direitos e desejos.

Mulher olhe-se no espelho e reconheça a sua força. Enxergue uma mulher linda, inteligente e poderosa. Assuma o seu papel de mulher e se coloque em posição de igualdade aos homens. Quebre, definitivamente, as barreiras criadas por você e para você nesta sociedade machista.
E se você permitir. Até a próxima!
Adriana Oliveira
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Comente, conte sua história! Adoraria conhecer a forma como você enxerga esse grande problema social.
Tenho outros artigos em meu Blog.

COMENTÁRIOS:

K
Katya Araújo
Que as mulheres de hoje conquistaram um espaço que nossas ancestrais jamais imaginaram ,isso não é segredo ,assim como também não é segredo o quanto milhares de mulheres sofrem caladas ,algumas por falta de informação ,outras por medo ,cultura engajada, acomodação etc... Parabéns Adriana Oliveira e equipe pelo lindo e sério trabalho que vem desenvolvendo ; a informação é a chave do conhecimento,que vocês sejam as voz que cala estas mulheres ?obrigada pelo rico material publicado .

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